Mostrando postagens com marcador ser. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ser. Mostrar todas as postagens

Ser mulher

para mim
é
 ser Deusa

é ser dona de mim

e rainha das minhas vontades


é nunca calar meus desejos

e jamais ter vergonha deles


é me orgulhar da minha nudez,

dos meus seios pequenos,

da minha cintura fina,

da minha bunda grande,

das minhas coxas grossas


é ter você aos meus pés,

a me adorar, 

a me beijar, 

a me amar,

plantando poesia em mim

com as mãos e o corpo

sujo,

suado, 

exausto, 

satisfeito


é querer ver o fogo que emana de mim

espelhado nos olhos seus


é ser sua na cama,

no carro, na rua, na lama

e onde mais eu quiser


é ser sujeito ativo e lúbrico

e também objeto da carnalidade


é ser tudo,

é ser sempre.

Identidade

Nomes?

Para quê?

Eu não sou a Bárbara, não.

Sou mais do que diz uma certidão de nascimento ou uma carteira de identidade.

Talvez seja bárbara para alguns.
Mas eu não caibo em carteiras,
nem em palavras.

Eu não me resumo a rótulos.

Sou uma mutação
e isso é culpa dos meus pais.

Sou o reflexo que vejo no espelho.

Sou o texto que escrevi,
o livro que li,
o filme a que assisti,
a música que escutei,
a comida que comi.

Sou o que você vê e o que você fala.

Sou isso.
Mas não só isso.

Sou também aquilo,
aquela,
ela,
eu.

Sou tanto que não sou nada.

Sou o agora,
o instante,
o presente.

O que já foi,
o que ainda vai ser,
eu não sou.

Sou um frame,
uma foto.
Uma fração de realidade,
um momento.

O que fui não sou mais,
é passado,
já foi.
Eu fui.

Eu sou por que você é e você é por que eu sou.

Sem você, eu não seria eu.

Sem você, eu seria outra para outros
ou nada para ninguém.

O que serei?
Não importa.
Não me importa.

Por que eu serei,
eu sei.

Serei cadáver,
serei pó,
serei poeira.

Cedo ou tarde.
Eu serei.