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Verbal

Quero fazer de ti córrego
por onde minhas palavras correm soltas.
São fluidas, líquidas, correntes.
Nada banais e tão potentes
que te moldam na vazão da minha escrita.

Talho teus contornos no fluxo da poesia
navego-te no agito do presente
e ao sabor do indicativo.

No escoar da gramática,
vejo na língua nossa mágica
e te aclamo na pontuação,
na coroação,
no verso final:

Tu és minha conjugação do mais-que-perfeito.

Criação

Meus versos nascem de parto natural.

Primeiro as contrações.

Longas,
Poderosas,
Incrivelmente dolorosas.

Nelas, as ideias fervilham,
E as palavras dançam.

Meu corpo
se contorce no ritmo
de uma coreografia louca.

Inesperada.

Espasmo muscular
de contrações violentas.

Ginástica mental.

E eu me adapto, mudo.

Crio,
Refaço,
Desfaço.

E então nasce.

Enchendo meus olhos de orgulho
e minha mente de incredulidade.

Fui eu mesma quem pari?

Po-eu-sia

A poesia mora em mim
É como se eu fosse construída em rimas e,
se me virassem do avesso,
meu corpo comporia versos inteiros.