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Confinamento

Estou só.

A verbalização do óbvio
parece mais cruel que o pensamento.

Mas não é.

A verdade é que sou minha melhor companhia
e saborear a pungência do meu ser
é libertador.

Sim, falar com minhas entranhas é um processo solitário e essa leitura em braille do meu corpo dói.

Encarar minhas imperfeições é desagradável, especialmente se elas gritam em minha direção ao mais fugaz dos olhares meus.

Encontrar perfeição em cada uma delas é mais do que um alívio, é uma lição.

Nesses meses mergulhada no breu, vou transformando minha solidão na mais prazerosa e rara solitude.

Oca

Você ouve o vazio gritando dentro de mim?
Percebe o desalento que ecoa aqui?

É tão parte de quem sou que é difícil dissociar
a minha persona dessa personificação do ansiar.

Aninhado no aconchego do meu ventre,
Eu tento acalmar o embrião,
Como faria a um filho,
Produto meu e da solidão.

Não adiantam as tentativas,
É impossível fazê-lo parar.
Parece que vai nascer sabendo as dores vociferar.

Eu me calo perante tamanho concerto
e me perco dentro do meu próprio medo.
Isolo, bloqueio, afasto o mundo de mim,
Embalada por esse melódico desespero sem fim.